RECURSOS E RECOMENDAÇÕES PARA PROFISSIONAIS

Recomendações para professores e educadores de infância

Recomendações para psicólogos com intervenção em contexto escolar

Recomendações para a intervenção psicológica vocacional e de desenvolvimento de carreira

Recomendações para intervenção psicológica no ensino superior

Intervenção Precoce na Infância em Fase de Desconfinamento

Os 20 princípios mais importantes da psicologia para o ensino e a aprendizagem, desde o pré-escolar ao secundário

WEBINAR – DESENVOLVIMENTO VOCACIONAL | 5 DE MAIO DE 2020

WEBINAR – RECOMENDAÇÕES PARA UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA | 5 DE MAIO DE 2020

WEBINAR – INTERVENÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO ESCOLAR | 30 DE ABRIL DE 2020

WEBINAR – INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO ENSINO SUPERIOR | 27 DE ABRIL DE 2020

DEBATE À 5ª “ INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO ESCOLAR E PANDEMIA COVID-19” | 21 DE ABRIL DE 2020

VIVA SAUDÁVELMENTE ESTE PERÍODO DE PANDEMIA… E DE ESTUDO EM CASA (VÍDEO) | 18 DE JUNHO DE 2020

CARTA ENVIADA À DIRECTORA-GERAL DA SAÚDE, DRA. GRAÇA FREITAS | 4 DE AGOSTO DE 2020

RECURSOS E RECOMENDAÇÕES PARA PAIS E CUIDADORES

Estudar em tempo de pandemia – guia para pais e cuidadores

“O meu filho/a quer deixar de estudar!”

“Como me sinto?” – Checklist sobre Crianças e Adolescentes (para Pais, Cuidadores e Professores)

Famílias em isolamento durante a pandemia – kit de sobrevivência para pais

Como explicar a uma criança a importância das medidas de distanciamento social e isolamento?

Ajudar as crianças a lidar com o stresse durante o surto de covid-19

Ser Mãe, Ser Pai – Os desafios da Parentalidade

RECURSOS E RECOMENDAÇÕES PARA A CRIANÇAS E JOVENS

Transições Escolares: Recomendações para Jovens

“Por mim desistia de estudar”

Recomendações para jovens online – cyberbullying e segurança online

“Como me sinto?” – Checklist para Jovens

Quadro de honra da pandemia

As máscaras são nossas amigas!

RECURSOS E RECOMENDAÇÕES PARA A COMUNIDADE EDUCATIVA

Regressar à Escola em Tempo de Pandemia

Desconfinamento – regressar a (algumas) rotinas habituais | recomendações para pais e professores

Transições Escolares – Recomendações para Profissionais (Administradores Escolares, Psicólogos, Educadores e Professores)

Recomendações para uma educação inclusiva dirigidas à comunidade educativa

Prevenção do Abandono Escolar – Recomendações para Profissionais (Administradores Escolares, Psicólogos e Professores) 

Recomendações para pais, cuidadores e professores – cyberbullying e segurança online

Como manter actividades de ensino, aprendizagem e formação à distância ( estudantes e formandos / professores e formadores

Pessoas com deficiência – recomendações para pessoas com deficiência, cuidadores e decisores

DEBATE À 5ª “FAMÍLIA, TRABALHO, ESCOLA… E COVID-19” | 7 DE MAIO DE 2020

DEBATE À 5ª “A INCERTEZA DA ADOLESCÊNCIA EM TEMPOS DE INCERTEZA” | 21 DE MAIO DE 2020

WEBINAR OPP – TRANSIÇÕES E REGRESSO À ESCOLA | 1 DE JULHO DE 2020

Recomendações para Profissionais (Administradores Escolares, Psicólogos, Educadores e Professores)

Nos últimos meses, a pandemia COVID-19 obrigou a alterações nos contextos educativos e nos processos de ensino-aprendizagem, gerando novas interacções entre pais/cuidadores, professores e a escola (https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_professores_e_educadores.pdf). Na verdade, tendo em conta a forma como, desde Março de 2020, esta pandemia provocou mudanças nas dinâmicas relacionais e de aprendizagem, podemos considerar que toda a comunidade educativa (alunos, pais e cuidadores, profissionais) está a vivenciar um processo de transição, enfrentando desafios excepcionais na finalização do ano lectivo de 2019/2020 e na preparação do ano lectivo de 2020/2021.

A acrescentar a este processo de transição extraordinária, pela qual todos terão de passar (o regresso ao contexto escolar terá, obrigatoriamente, mudanças e diferenças face ao cenário pré-pandemia), mantêm-se e acentuam-se os desafios das transições escolares normativas – as que já fazem parte habitual do percurso escolar. Para este grupo de crianças e jovens o regresso à escola poderá ser mais desafiante, exigindo medidas específicas de suporte.

Deste modo, é necessário dedicar particular atenção à adequação das práticas que existem (ou que necessitem de ser criadas) com vista à adaptação bem-sucedida das crianças e jovens que vivenciam estas transições escolares num cenário de incerteza, promovendo uma reintegração escolar presencial (ou à distância) que assegure o bem-estar e a saúde física e psicológica.

Os planos de transição escolar deverão ser centrados na premissa de que a escola é um espaço seguro, cuidador e de apoio ao desenvolvimento das crianças e jovens. O reencontro presencial com os alunos e a suas famílias é um desafio, mas também uma oportunidade de aumentar a confiança e a noção de segurança. Nesse sentido, para além de sugerir a consulta do documento Desconfinamento: Regressar a (algumas) Rotinas Habituais – Recomendações para Pais e Professores”, deixamos algumas recomendações específicas relativas aos processos de transição, dirigidas a Administradores Escolares, Psicólogos, Educadores e Professores.

1. Recomendações para Administradores Escolares

  • Reveja e adeqúe o Plano de contingência, garantindo a sua compreensão e divulgação. Reúna e esclareça dúvidas. Demonstre disponibilidade. Exponha o plano de contingência em locais visíveis, como por exemplo, na entrada do espaço escolar, na sala do pessoal/professores, nos locais mais visíveis para os alunos e para os pais e cuidadores.
  • Monitorize o estado emocional e físico da equipa, promovendo o diálogo e a colaboração e envolvendo todos no desafio de lidar com as possíveis situações resultantes do regresso.Nesse sentido, utilize uma comunicação positiva com os diferentes profissionais e mostre interesse nas necessidades individuais. Respeite as diferentes reacções, promova a tolerância e discuta formas de resolver os problemas. 
  • Incentive a partilha das novas necessidades pessoais e profissionais, tendo em conta o momento de crise pandémica que está a ser experienciado. Promova a honestidade sobre a proximidade do ponto de exaustão (“já não aguento mais”). Na resolução de conflitos, adopte uma postura de negociação e não de competição.
  • Sensibilize para o facto de que as atitudes, sentimentos e comportamentos dos adultos têm impacto nas crianças e jovens. Procure transparecer uma postura de tranquilidade, confiança, segurança e evite comportamentos de desinformação e de estigmatização. Relembre que o mais importante é focar-se no aqui e agora para reduzir a ansiedade.
  • Faça, frequentemente, um balanço com os diferentes profissionais da escola. Reavalie as acções específicas. Reforce positivamente cada profissional, elogiando e valorizando o seu contributo. Relembre a importância de haver uma postura tranquila, com rotinas normalizadas (quanto possível) e propicie momentos de descontracção. Relembre a equipa da importância do autocuidado.
  • Atualize os contactos de emergência dos alunos.

2. Recomendações para Educadores de Infância, Professores e Cuidadores Formais 

  • Restabeleça o contacto com os pais/cuidadores das crianças e jovens, dando e recebendo feedback sobre possíveis alterações emocionais e comportamentais da criança/jovem. Procure perceber quais são as preocupações dos pais/cuidadores e se os seus educandos manifestam algum medo, tristeza, frustração ou angústia perante o regresso.
  • Procure saber se houve alguma situação específica que tenha causado impacto no meio social mais próximo (família ou amigos). Considere, por exemplo, alterações na família que possam derivar da situação pandémica e suas consequências directas e indirectas (ex.  divórcios, ausência de um dos elementos, mortes, residência alternada que não foi realizada).
  • Tranquilize os pais e cuidadores referindo e informando de todos os procedimentos que estão a ser adoptados para o regresso ao espaço escolar e reforçando que contam com eles como parceiros nesta nova etapa.
  • Avalie o ponto de desenvolvimento da/o criança/jovem. Poderá ter evoluído positivamente ou regredido. Recolha informações, quer por observação quer através dos pais/cuidadores. De acordo com as informações, planeie actividades ajustadas às necessidades.
  • Monitorize as alterações de comportamento da criança/jovem (ansiedade ou angústia de separação; comportamentos que regrediram; comportamento agitado; alterações do humor; agressividade; e irritabilidade).
  •  reacções das crianças pequenas às mudanças que ocorrerão no contexto escolar, nomeadamente do profissional responsável, de sala/instituição, de colegas ou contexto social e da forma de se relacionarem. Adicionalmente, existirão roupas e equipamentos de protecção às quais não estão habituados. Por isso, planeie uma integração gradual com os pais/cuidadores envolvidos. Adequando à faixa etária em questão, prepare o espaço de forma atractiva e acolhedora e, na preparação dos equipamentos de protecção, tenha em consideração elementos divertidos e estimulantes (ex., quase como se de um jogo se tratasse), para diminuir o seu impacto negativo.
  • Esteja atento à motivação, autonomia, autoconfiança e auto-controlo da criança/jovem, uma vez que estes aspectos são fundamentais na sua disponibilidade para a aprendizagem. 
  •  As crianças tiveram alterações nas rotinas, nos limites impostos, no convívio familiar, nos hábitos e nas relações estabelecidas. É necessário respeitar o seu ritmo de readaptação. 
  • Antecipe actividades que permitam atingir os objectivos pedagógicos previstos, tendo em conta o distanciamento social possível, mas que permitam fomentar a relação de proximidade emocional, potenciadas por momentos de prazer, exploração emocional, estímulo físico e cognitivo. Torne claro para os alunos, que podem e devem conviver, desde que sempre com os devidos cuidados. Dada a extrema importância das relações entre pares será necessário ser criativo na natureza das actividades.
  • Promova a resiliência (resistir, superar e recuperar).
  • Lembre-se de cuidar de si, dentro e fora do contexto escolar. Preste atenção ao seu estado emocional e físico, respeite os seus limites. Se precisar, peça ajuda – um Psicólogo pode ajudar.

Se é Docente Especializado recomendamos a leitura das Recomendações para uma educação inclusiva dirigidas à comunidade educativa e  das Recomendações para Pessoas com Deficiência, Cuidadores e Decisores.

  • Apoie os docentes do aluno na definição de estratégias de diferenciação pedagógica, no reforço das aprendizagens e na identificação de múltiplos meios de motivação, representação e expressão, tendo em conta o trabalho realizado no apoio à distância, e o que melhor resultou. 
  • Poderá assistir a alguma dificuldade no regresso de alguns alunos, principalmente aqueles para quem as alterações das rotinas possam ser mais desestruturantes. Procure oferecer estrutura e previsibilidade.
  • Reajuste e monitorize as medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, implementadas ou a implementar, tendo em conta as que possam ter funcionado positivamente durante o período de apoio à distância;
  • Reforce a articulação entre todos os intervenientes (ex., EMAEI – Equipas Multidisciplinares de Apoio à Educação, CRI – Centros de Recursos para a Inclusão, entre outros), partilhando informação sobre o estado emocional e social dos alunos e estratégias facilitadoras da adaptação, considerando as particularidades da criança/jovem.

2.1. Recomendações Específicas sobre a Transição Escolar do Ensino Pré-Escolar para o 1º Ciclo do Ensino Básico

A situação e percurso das crianças que transitam para o 1º Ciclo do Ensino Básico poderão ser diversos. Não só é necessário ter em consideração a individualidade e particularidades próprias de cada criança, como as caraterísticas da família. Algumas terão passado pela creche e outras não, e mesmo as que frequentaram o jardim de infância, poderão tê-lo feito por um, dois ou três anos. 

Esta transição escolar poderá também traduzir-se numa mudança de instituição educativa, sendo que algumas crianças virão de instituições privadas e outras de estabelecimentos públicos. Até mesmo a questão da idade terá de ser considerada, havendo situações muito distintas (desde algumas crianças que têm ainda 5 anos até outras que já terão completado 7 anos). 

Assim, e na dificuldade acrescida na realização de avaliações formais, bem como na recolha de elementos de avaliação das competências adquiridas, deverão ser tidas em conta as informações prévias para apoiar os pedidos de adiamento/antecipação da entrada no 1º Ciclo do Ensino Básico, bem como ponderar o contributo de um Psicólogo na avaliação da prontidão escolar. É importante a avaliação e decisão conjunta entre pais e educadores acerca da possível matrícula dos alunos em situação de transição condicional, tendo em atenção não só os pré-requisitos de diversa ordem, mas ainda contemplando a resposta da criança ao longo período de afastamento dos espaços escolares, bem como a avaliação por parte da educadora e os dados do contexto familiar. 

Desta forma, mantenha presente o perfil do aluno no final da educação pré-escolar, com a premissa de que esta, tendo sido uma educação de qualidade, é um preditor de sucesso na escolaridade e na qualidade de vida dos jovens e dos adultos. 

As crianças aprendem a aprender, a relacionar-se e a fazer parte de um grupo, a formular as suas opiniões e a aceitar as dos outros, desenvolvendo um espírito democrático, num clima de participação e partilha. Tenha presente a formação pessoal e social, que permitirá à criança uma participação adequada no 1º ciclo do Ensino Básico, nomeadamente a sua responsabilidade, atitudes e valores. 

Relativamente à área de expressão e comunicação tenha particular atenção à observação directa, já realizada, de comportamentos, atitudes e aprendizagens, recorrendo aos registos que possui, bem como a relatórios e informações trimestrais. 

Em termos de acções concretas que contribuem para uma transição escolar com maior sucesso, considere as seguintes:

  • O educador pode conversar sobre a transição com as crianças, promovendo o seu envolvimento das crianças;
  • Poderá ser realizada uma visita virtual à nova escola;
  • Os Educadores e professores do 1º ciclo do Ensino Básico poderão desenvolver em conjunto e em articulação com o Psicólogo da(s) escola(s)/agrupamento(s) escolar(es), estratégias de transição, numa óptica de articulação entre profissionais de ambos os ciclos;
  • Promova o envolvimento dos pais/encarregados de educação;
  • Consulte as orientações da Direcção-Geral da Educação (aceda em https://www.dge.mec.pt/ocepe/node/56).

2.2. Recomendações Específicas sobre a Transição Escolar do 1º ciclo para o 2º ciclo do Ensino Básico

No que se refere especificamente a esta transição escolar, deverá ter em conta os aspectos mais críticos tais como: as mudanças de monodocência para pluridocência, a (eventual) mudança de escola, a maior diversidade de idades no mesmo contexto escolar, e as diferenças no espaço da escola (tais como a amplitude e diversidade dos edifícios das instalações escolares). 

Poderá ainda ser relevante antecipar as expectativas sobre o desempenho e autonomia dos alunos a partir do 2ºciclo do Ensino Básico.

2.3. Recomendações Específicas sobre a Transição do 3º ciclo do Ensino Básico para o Ensino Secundário

Nesta transição escolar em particular, tenha em atenção se houve consideração pelas possibilidades de escolha que os alunos poderão fazer para um percurso no Ensino Secundário (ex., Cursos Científico-Humanísticos, Ensino Profissional ou Cursos Artístico-Especializados)Poderá ser necessário assegurar-se que esta decisão foi tomada com base no autoconhecimento e na exploração de alternativas. Articule com o Psicólogo da escola/agrupamento escolar caso veja ser necessária uma intervenção vocacional.

Se for director de turma verifique, em articulação com o Psicólogo com intervenção em contexto escolar, se os alunos da sua direcção de turma estão conscientes da escolha que vão fazer e se já tomaram a decisão. Garanta que os alunos tenham tido total conhecimento das possibilidades, bem como das escolas que disponibilizam as suas escolhas e o necessário para proceder às devidas inscrições.

Não exclua a possibilidade de, num momento pós-transição (e particularmente durante o 1º período, em que é possível a troca de curso sem prejuízo do aproveitamento), haver uma alteração do percurso seleccionado por cada jovem.

2.4. Recomendações Específicas sobre a Transição Escolar no final do Ensino Secundário (“Vida Pós-Escolar”)

Transição para o Ensino Superior

Os jovens que se encontrem a transitar para um projecto de prossecução de estudos a um nível superior vivenciarão desafios acrescidos aos que habitualmente acompanham esta transição escolar. No regresso à escola (ainda no Ensino Secundário) alguns estarão a lidar com a indecisão vocacional, e muitos com a ansiedade perante o seu desempenho nos exames nacionais que constituem provas de ingresso – acrescendo a toda a ansiedade que advém da readaptação ao espaço da escola num cenário de pandemia.

Esteja atento às dimensões emocionais reveladas pelos jovens, tais como: 

  • Ansiedade perante os exames
    • Ansiedade por falta de interações presenciais com grupos de pares
    • Ansiedade perante a própria pandemia
    • Ansiedade perante a alteração das regras para exames
    • Situações de vulnerabilidade prévia

Transição para o Mercado de Trabalho

Estes alunos poderão já nem regressar ao espaço escolar e ao sistema presencial no presente ano lectivo. Desta forma, procure assegurar que não se efetua uma transição abrupta, e que os alunos possuem competências essenciais para a sua inserção futura e emergente no mercado de trabalho, tais como:

  • Verifique se estão bem e seguros com a sua decisão (deixando claro que não é uma decisão irreversível);
  • Verifique se necessitam de um último aconselhamento, com o Psicólogo escolar ou do CRI, ainda antes do ano lectivo terminar;
  • Considere a possibilidade de partilha de exemplos de CV’s, ou sites de como os construir;
  • Valorize a colaboração com o Psicólogo da escola, articulando as estratégias a serem delineadas;
  • Recomende aos alunos a inscrição no Instituto de Emprego e de Formação Profissional (IEFP), e se possível articule com o Psicólogo da escola ou do CRI para que este possa constituir uma “ponte” com os serviços do IEFP.

Transição para a Vida Pós-Escolar

No caso dos alunos com medidas adicionais, poderá assistir a diferentes cenários e será importante estar atento a todos. Existirão alunos que atingirão a maioridade ou finalizarão o ensino secundário, e desta forma também já não regressam ao sistema de aulas presenciais. Mantendo sempre a articulação e cooperaçãocom a EMAEI, bem como dos serviços que auxiliam esta transição (como por exemplo o psicólogo escolar ou os técnicos do CRI) e seguindo as recomendações já lançadas no documento para uma educação inclusiva (link) deixamos as seguintes recomendações:

  • Mantenha o contacto com as famílias e tente perceber que decisão o jovem irá tomar com a finalização da escolaridade obrigatória;
  • Se a escolha do aluno e da família for ingressar num curso profissional, proceda ao encaminhamento para o IEFP e centros de formação profissional, articulando com o psicólogo em contexto escolar ou o psicólogo do CRI;
  • Se a escolha/necessidade do aluno e da família for o ingresso no centro de actividades ocupacionais, facilite o contacto de e com as instituições com este recurso;
  • Se a escolha do aluno e da família for a transição para a vida activa, pretendendo integrar o mercado de trabalho, procure articular com a comunidade com vista a uma possível integração dos jovens com maiores dificuldades, nomeadamente autarquias e centros comunitários.

3. Recomendações gerais para Psicólogos

No que se refere, mais globalmente, à readaptação ao contexto escolar:

  • Identifique situações específicas que necessitem de especial cuidado pelo impacto que causaram na vida das crianças/jovens por exemplo, luto, alterações na dinâmica familiar ou fragilidades económicas.
  • Procure identificar que crianças/alunos estão a ter dificuldades no processo de adaptação.
  • Nos pedidos de adiamento para a entrada para o 1º ciclo, verifique se existem avaliações formais, rastreios ou outros elementos de apoio à decisão.
  • No caso dos alunos com necessidades específicas, nomeadamente aqueles com medidas adicionais, tenha atenção ao seu estado emocional assim como o das suas famílias.

No que se refere mais especificamente às transições escolares:

  • Em conjunto com o professor titular/director de turma procure manter uma articulação constantecom os alunos, pais ou encarregados de educação, técnicos e administradores escolares.
  • Procure estar atento e sensível a esta fase de transição para outro ciclo que poderá ocorrer noutra escola, esforçando-se por atenuar os efeitos de eventuais emoções negativas, sobretudo após um período longo de afastamento e confinamento. 
  • Para os alunos finalistas, em conjunto com outros profissionais, poderá preparar a mudança de ciclo e a mudança de estabelecimento de ensino, caso se aplique. 
  • Articule com os estabelecimentos de ensino de destino e elabore planos de facilitação de integração no novo ciclo com, por exemplo, visitas virtuais, vídeo de apresentação dos alunos e dos professores. 
  • Contemple a divulgação/informação dirigida aos pais, com conteúdos úteis e mensagens tranquilizadoras.
  • Crie actividades, em conjunto com a família e a criança, para exploração e ajuste das expectativas e gestão das emoções.
  • Organize um sistema de tutorias entre os alunos da escola e os recém-chegados para o próximo ano lectivo.
  • Realize grupos de discussão entre os alunos para partilhar expectativas, receios, curiosidades, conhecimentos.
  • Prepare uma recepção do aluno que promova a sensação de pertença.
  • Sempre que necessário, sensibilize para a procura de apoio especializado.

(Sugere-se ainda a consulta das Recomendações para Psicólogos com Intervenção em Contexto Escolar, das Recomendações para uma educação inclusiva dirigidas à comunidade educativa, e das Recomendações para a Intervenção Psicológica Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira)

Neste regresso, a participação de todos é fundamental e o bem-estar da comunidade escolar depende das acções de cada um. A normalidade possível será desafiante e, por isso, será pertinente gerir a transição com a maior tranquilidade possível, tornando este momento positivo.

Com o Apoio de:

Vanessa Neves (CP: 11765)

Nathalie Marques (CP: 14734)

Recomendações para Pais e Cuidadores

Nos últimos meses, a pandemia COVID-19 obrigou a alterações nos contextos educativos e nos processos de ensino-aprendizagem, gerando novas interacções entre pais/cuidadores, professores e a escola. Na verdade, tendo em conta a forma como, desde Março de 2020, esta pandemia provocou mudanças nas dinâmicas relacionais e de aprendizagem, podemos considerar que toda a comunidade educativa (alunos, pais e cuidadores, profissionais) está a vivenciar um processo de transição, enfrentando desafios excepcionais na finalização do ano lectivo de 2019/2020 e na preparação do ano lectivo de 2020/2021.

A acrescentar a este processo de transição extraordinária, pela qual todos terão de passar (o regresso ao contexto escolar terá, obrigatoriamente, mudanças e diferenças face ao cenário pré-pandemia), mantêm-se e acentuam-se os desafios das transições escolares normativas – as que já fazem parte habitual do percurso escolar (ex. as transições entre anos escolares e as transições para um novo ciclo de estudos). 

Para as crianças e jovens o regresso à escola poderá ser mais desafiante, exigindo medidas específicas de suporte, que promovam uma reintegração escolar presencial (ou à distância) que assegure o bem-estar e a saúde física e psicológica.

Mas também os pais e cuidadores podem sentir ambiguidade e receios face ao regresso à escola das crianças e jovens. É natural que possam experienciar uma variedade de sentimentos (às vezes aparentemente opostos, tais como alívio e preocupação, culpa e confiança). 

A reabertura das escolas implica mudanças nos procedimentos anteriores, alterações nos hábitos sociais e nas emoções de todos os envolvidos. Neste sentido, o reingresso ou a transição escolar, devem basear-se na premissa de que a escola é um espaço seguro, cuidador e de apoio ao desenvolvimento das crianças e jovens. Para além de sugerirmos a consulta do documento Desconfinamento: Regressar a (algumas) Rotinas Habituais – Recomendações para Pais e Professores”, deixamos algumas recomendações sobre estes processos de transição.

1. Recomendações Gerais para Pais e Cuidadores

Relativamente aos Agentes Educativos

  • Restabeleça o contacto com os agentes educativos da escola, dando e recebendo feedback sobre possíveis alterações emocionais e comportamentais da criança/jovem (ex. ansiedade ou angústia quando se afasta; comportamento agitado; alterações do humor; agressividade; irritabilidade). 
  • Manifeste e partilhe as suas preocupações com os agentes educativos, bem como se o seu filho está a manifestar medo, tristeza, frustração ou angústia perante o regresso.
  • Informe o Educador ou Professor se houve alguma situação específica que tenha causado impactono meio social mais próximo (família e amigos). Por exemplo, se tiver havido uma morte de uma pessoa próxima ou a não realização da residência alternada, como habitual.
  • Confie nos agentes educativos. As orientações dadas para o regresso à escola constituem um desafio para os Educadores e Professores, que procurarão cumprir todas as regras de segurança, mas também garantir o bem-estar das crianças e jovens.

Relativamente às Crianças e Jovens

  • Reforce a tolerância e a paciência. As crianças tiveram alterações nas rotinas, nos limites impostos, no convívio familiar, nos hábitos e nas relações estabelecidas. É necessário respeitar o seu ritmo de readaptação.
  • Opte por estratégias de contenção (tom de voz calmo, atitude tranquila). Dê espaço, sem insistência, mas com vigilância, para ajudar a criança a expressar-se e auto-regular-se.
  • Vigie as reacções das crianças pequenas às mudanças que ocorrerão no contexto escolar, nomeadamente de profissional responsável, de sala/instituição, de colegas ou contexto social e da forma de se relacionarem. Adicionalmente, existirão roupas e equipamentos de protecção às quais não estão habituados. Por isso, planeie uma integração gradual e um momento especial para atribuir um significado à reentrada na escola, suavizando o impacto das emoções negativas que também lhe possam estar associadas.
  • Envolva as crianças e jovens nas tomadas de decisão e organização do regresso à escola, fomentando uma sensação de segurança e confiança.
  • Procure informar-se sobre programas e actividades dedicadas às crianças e jovens que vão transitar de ciclo de estudo (ex. possibilidade de realizar uma visita virtual aos novos espaços escolares).
  • Incentive as crianças e os jovens a expressarem as suas emoções, disponibilizando-se para o diálogo e validando o que sentem relativamente à reintegração ou começo de ano lectivo. Mostre-se disponível para conversar, para orientar e reflectir em conjunto sobre os problemas e possíveis soluções.
  • Sempre que considerar necessário, peça ajuda: recorra ao apoio do Psicólogo com intervenção em contexto escolar para melhor gerir e monitorizar as emoções, comportamentos e atitudes das crianças e jovens.

Sugere-se ainda a consulta da informação para Pais disponível no site EscolaSaudavelmente – Ajudar o Meu Filho nas Transições Escolares: http://escolasaudavelmente.pt/pais/sucesso-escolar/ajudar-o-meu-filho-nas-transicoes-escolares.

2. Recomendações Específicas sobre a Transição do Ensino Pré-Escolar para o 1º Ciclo do Ensino Básico

Se o seu filho está prestes a ingressar no 1º ciclo, estará a viver a primeira transição entre ciclos de estudo. Será de considerar que está a vivenciar alguns desafios que fazem parte desta mudança, tais como a passagem para um ambiente de aprendizagem mais formal, em que há menos tempo de brincadeira, que envolve a mudança de espaço (ou de escola), de figuras de referência (educadores e auxiliares para um professor novo e novos auxiliares), e de colegas. Além disso, estará a lidar com desafios acrescidos devido à pandemia, tais como uma possível ansiedade de separação, assim como a transição de uma fase em que as suas rotinas se alteraram.

  • Antecipe, com a criança, esta mudança. Oiça as suas questões, procure dar-lhes resposta. Transmita-lhe confiança numa nova etapa que se inicia e ajude-a a identificar coisas boas que se seguem e a recordar-se de outras mudanças que já viveu e que correram bem.
  • Articule com a escola actual para perceber que iniciativas estão a ser contempladas para as crianças em transição (ex., despedidas à distância, visitas virtuais à nova escola, etc.). Na ausência de actividades planeadas, procure fazê-las por iniciativa própria ou em conjunto com outros pais/filhos em situação semelhante.

3. Recomendações Específicas sobre a Transição do 1º Ciclo para o 2º Ciclo do Ensino Básico

Se o seu filho está prestes a ingressar no 2º ciclo, tenha presente que poderá estar a vivenciar alguns desafios, tais como a mudança de escola e de tipo de espaço (deixa de ter apenas uma sala de aulas para ter de circular com autonomia entre diferentes salas/pavilhões, onde contacta com mais alunos de várias idades), a alteração de um regime de apenas um professor que lecciona todas as disciplinas para vários professores que leccionam muitas disciplinas (alguma delas novas) diferentes, a mudança de turma para uma com menos (ou nenhuns) colegas/amigos, e a maior exigência pela sua autonomia e auto-regulação na aprendizagem. Para além de todos estes desafios, acrescem os que a pandemia motiva, tais como o afastamento dos pais, a separação sem despedida de um “espaço seguro” (a antiga escola, professor, sala de aula, rotinas do 1º ciclo) e a separação sem a despedida habitual dos colegas.

  • Antecipe, com a criança, esta mudança. Oiça as suas questões, procure dar-lhes resposta. Transmita-lhe confiança numa nova etapa que se inicia e ajude-a a identificar coisas boas que se seguem e a recordar-se de outras mudanças que já viveu e que correram bem.
  • Articule com a escola actual para perceber que iniciativas estão a ser contempladas para as crianças em transição (ex., despedidas à distância, visitas virtuais à nova escola, etc.). Na ausência de actividades planeadas, procure fazê-las por iniciativa própria ou em conjunto com outros pais/cuidadores/filhos em situação semelhante.

3. Recomendações Específicas sobre a Transição do 3º ciclo do Ensino Básico para o Ensino Secundário

Se o seu educando está a concluir o 3º ciclo, tenha presente que está a vivenciar um conjunto de desafios que fazem parte desta transição, tais como uma possível mudança de escola, a despedida de alguns (ou todos) os colegas (que na adolescência têm particular importância na vida do jovem), o confronto com um tipo de ensino que apela a cada vez mais autonomia e auto-regulação das aprendizagens e que requer maior nível de abstração (e portanto mais exigente e difícil), e um ciclo de estudos em que há uma maior pressão relativamente às classificações escolares (para acesso ao Ensino Superior).         

Além disso, para esta transição, é necessário contemplar diversas possibilidades de escolha para início do percurso no Ensino Secundário (ex., Cursos Científico-Humanísticos, Ensino Profissional ou Cursos Artístico-Especializados)Assegure-se que a decisão é tomada e é feita com base no autoconhecimento e na exploração de alternativas. Articule com o Psicólogo da escola/agrupamento escolar caso considere necessária uma intervenção vocacional. Acompanhe esta decisão e procure verificar se o seu educando tem conhecimento das possibilidades, bem como das escolas que disponibilizam as suas escolhas e informe-se sobre o necessário para proceder às devidas inscrições.

Os desafios habituais desta transição serão mais complexos devido aos efeitos da pandemia, pelo que  os jovens estarão confrontados com um cenário em que se podem sentir privados de alguns rituais de transição (de que são exemplo as viagens e bailes de finalistas), de uma despedida presencial dos seus colegas e professores, bem como de uma dificuldade em “desconfinar” num ambiente que lhes é estranho e cheio de incerteza.

  • Antecipe, com o jovem, esta mudança. Oiça as suas questões, procure dar-lhes resposta. Transmita-lhe confiança numa nova etapa que se inicia e ajude-o a identificar coisas boas que se seguem e a recordar-se de outras mudanças que já viveu e que correram bem. 
  • Articule com a escola actual para perceber que iniciativas estão a ser contempladas para os jovens em transição. Na ausência de actividades planeadas, procure fazê-las por iniciativa própria ou em conjunto com outros pais/filhos em situação semelhante.
  • Apoie na promoção do contacto (à distância ou presencialmente com precauções) do jovem com os seus colegas/amigos, uma vez que estes são de enorme importância na adolescência. Incentive a que mantenham o contacto durante e após a transição e ajude-o a perceber que é possível manter amizades mesmo sem uma convivência diária.
  • Mostre-se compreensivo em relação à decisão vocacional, tendo presente que a decisão tomada não é irreversível e transmitindo confiança em relação ao futuro. Ajude a compreender que nenhum percurso é isento de dificuldades, mas que as recompensas de planear o futuro são várias (a satisfação no trabalho, a realização pessoal, o contributo que dá à sua comunidade/ao mundo, etc.)

4. Recomendações Específicas sobre a Transição Escolar no final do Ensino Secundário (“Vida Pós-Escolar”)

Transição para o Ensino Superior

Esta é uma transição que traz desafios desde a sua preparação, começando com alguma pressão sentida pelo jovem no que se refere aos seus resultados escolares e o impacto que isso tem na “média” que servirá para a candidatura ao Ensino Superior. Acrescendo a isso, a preparação para os exames nacionais e alguma ansiedade face a esse desempenho, fazem habitualmente parte desta mudança. 

Esteja atento às dimensões emocionais reveladas pelos jovens, tais como: 

  • Ansiedade perante os exames
  • Ansiedade por falta de convívio com os grupos de pares
  • Ansiedade perante a própria pandemia
  • Ansiedade perante a alteração das regras para exames
  • Situações de vulnerabilidade

A decisão vocacional sobre a ordenação de cursos para a candidatura ao Ensino Superior também pode ser um desafio desta etapa, pois requer autoconhecimento e a exploração consciente das alternativas. O papel do Psicólogo neste processo costuma ser determinante para que a decisão seja tomada e vivida com maior tranquilidade.

Após a colocação, segue-se uma integração num ambiente totalmente novo e em que todos são mais “anónimos”, onde frequentemente inicialmente ninguém conhece ninguém, e no qual o jovem encontra um novo nível de exigência, de muito menor acompanhamento por parte dos professores. Por vezes esta mudança obriga também a uma mudança de cidade para estudar, podendo isso ou implicar uma viagem mais ou menos longa de transportes públicos, ou a mudança de casa (podendo envolver o “morar sozinho”). 

Para além destes desafios, é natural que se façam sentir dificuldades que advêm da situação de pandemia, pelo que  os jovens estarão confrontados com um cenário em que se podem sentir privados de alguns rituais de transição (de que são exemplo as viagens e bailes de finalistas), de uma despedida presencial dos seus colegas e professores, bem como de uma dificuldade em “desconfinar” num ambiente que lhes é estranho e cheio de incerteza.

Transição para o Mercado de Trabalho

Se o seu filho está a terminar a escolaridade obrigatória e não vai candidatar-se ao ensino superior, poderá já não regressar ao espaço escolar em regime presencial. Desta forma, procure assegurar que não se efectua uma transição abrupta:

  • Verifique se está bem e seguro com a sua decisão (deixando claro que não é uma decisão irreversível);
  • Verifique se necessita de um último aconselhamento com o Psicólogo escolar, ainda antes do ano lectivo terminar;
  • Colabore com o Psicólogo da escola, articulando as estratégias a serem delineadas.

Transição para a Vida Pós-Escolar

Se o seu filho usufrui de um Plano Individual de Transição (PIT), poderá estar perante diferentes cenários. Poderá atingir a maioridade ou finalizar o ensino secundário, e desta forma também poderá já não regressar ao sistema presencial. Mantenha contacto e coopere com as EMAEI (Equipas Multidisciplinares de Apoio à Educação Inclsusiva), bem como com os serviços que auxiliam esta transição (ex. psicólogo da escola ou do CRI – Centro de Recursos para a Inclusão):

  • Mantenha o contacto com a escola, nomeadamente com o diretor de turma e/ou com o professor de educação especial e partilhe qual a decisão que o seu filho irá tomar com a finalização da escolaridade obrigatória;
  • Se a escolha for ingressar num curso profissional, ajude-o a efetuar a inscrição no IEFP e centros de formação profissional, articulando com o psicólogo em contexto escolar ou o psicólogo do CRI;
  • Se a escolha/necessidade for o ingresso no centro de actividades ocupacionais, procure junto da escola o contacto de instituições com este recurso;
  • Se a escolha for a transição para a vida activa, através do mercado de trabalho, procure articular com a comunidade (e. g. autarquia, centros comunitários) para facilitar a integração do seu filho, tendo em conta as suas dificuldades e potencialidades.
  • Ajude-o a encontrar estratégias para se tranquilizar, relaxar e encontrar actividades e momentos de prazer. 
  • Valorize cada sentimento e apoie na procura de estratégias para a gestão emocional e, se encontrar muitas dificuldades e se se prolongar no tempo, procure a ajuda especializada através de um psicólogo.

O contributo dos pais e cuidadores para um regresso à escola saudável e para transições escolares bem-sucedidas é fundamental.

Com o Apoio de:

Vanessa Neves (CP: 11765)

Nathalie Marques (CP: 14734)

Recomendações para Jovens

A pandemia COVID-19 trouxe muitas mudanças à nossa vida e à nossa relação com a escola e com as aprendizagens também. Quando regressares à escola também não estará tudo igual: existirão novas regras de uso do espaço e novos comportamentos a adoptar na relação com os outros. Estas alterações são essenciais para te manteres e manteres os outros em segurança e, ao mesmo tempo, poderes retomar as aulas presenciais.

É natural que possas sentir medo, ansiedade, tristeza e frustração, pois certamente o início do ano lectivo de 2020/2021 (ou o regresso ainda durante o 3º período, caso estejas no 11º ano ou 12º ano), não será exactamente igual ao ano lectivo passado, nomeadamente no período antes da pandemia. Vamos todos precisar de algum tempo para nos adaptarmos a esta nova realidade.

Antes de voltar às aulas presenciais, retoma ou organiza os teus hábitos e rotinas.

  • Fica atento ao teu corpo, talvez estejas tenso ou sem energia. Procura actividades que possam ser revitalizantes, como por exemplo, actividades físicas, momentos que te despertem o riso. 
  • Retoma os teus hábitos de sono, garantindo uma boa gestão na qualidade e no tempo.
  • Cria horários específicos com acesso controlado às tecnologias e mantem-te focado. Vais voltar ao regime presencial e será diferente do período em que as tuas aulas se realizavam à distância, com recurso às tecnologias. Será importante que treines a manutenção da concentração e foco, antes de regressares à sala de aula.
  • Reorganiza o teu material e prepara-o com antecedência para voltares à escola sem muita agitação e tensão.

Podes sentir o que estás a sentir! 

O regresso à escola poderá ser relativamente fácil para alguns, mas para outros haverá a necessidade de mais apoio. Durante este período, poderás ter passado por situações menos positivas e podes ainda estares a aprender a lidar com elas. 

A tua vida (a nossa vida) mudou de alguma forma, assume isso e não tenhas constrangimentos em partilhar (com um amigo, um adulto de confiança ou um Psicólogo) se houver alguma situação específica que tenha tido impacto em ti, seja porque a relação com a tua família em isolamento não foi fácil, porque estiveste longe de uma pessoa importante, porque perdeste alguém, porque passou a haver dificuldades financeiras ou outra situação que tenha mexido contigo.

Neste momento, podes estar a sentir várias coisas e deves respeitar todas elas.

  • Se te sentires sem motivação, reflecte sobre o que deixaste de ter vontade de fazer. Faz uma lista e responde à pergunta “é importante porque…”. Relembra-te do objectivo final e realça os benefícios da tua meta.
  • Se te sentires ansioso, porque para ti os exames são importantes, lembra-te que és tu que controlas o teu conhecimento e que estás a dar o teu melhor. E se o que te preocupa são alterações nas regras de acesso ao ensino superior, esclarece todas as dúvidas com os teus professores ou com o Psicólogo da escola. Também podes recorrer a técnicas de relaxamentofazer coisas que te dão prazer. Vai ajudar-te a sentires-te melhor, a ficares com mais energia e melhorar a tua concentração.
  • Se sentes falta de estar com os teus amigos, só significa que durante a pandemia mantiveste as recomendações da DGS relativas ao distanciamento, o que significa que adoptaste uma atitude responsável e estás a contribuir para que tudo possa voltar à normalidade.  Se tiveres receio que as coisas não voltem a ser como antes nas tuas amizades, confia nas tuas capacidades para manter os laços e criar novas relações. Poderás sentir-te desanimado porque não vais encontrar os teus amigos e colegas de outras turmas, com quem aproveitavas os intervalos para conviver. Também poderás sentir-te frustrado porque te recomendaram ficares afastado dos teus colegas quando o que desejas era aproveitar esse momento para se juntarem. E se sentires isso tudo, não faz mal, é natural. Mas é importante aceitar, pensando que é temporário e que a adopção destes comportamentos, tem como objectivo final retomares o mais breve possível as rotinas e actividades de que gostas, com o mínimo de riscos para a tua saúde e para aqueles que te rodeiam. 
  • Se receias a pandemiaconfia em todas as recomendações das autoridades de saúde e nos profissionais de saúde e cumpre as recomendações para te manteres em segurança, a ti e aos teus amigos e familiares.  
  • Poderás estranhar a ausência de liberdade e sentires-te censurado com tantas limitações. Mas lembra-te que as tuas decisões e acções têm impacto não só em ti, mas em todos os que estão à tua volta. 
  • Poderás, ainda, sentir-te desgastado depois de tantas imposições. Por isso, é ainda mais importante cuidares de ti, partilhando o que sentes e procurando momentos de descontracção. 

Escolhe, se te for possível, o papel que queres ter no regresso à escola: podes dar um contributo importante.

  • Opta por conversas positivas, respeitando as experiências, os sentimentos e as mudanças dos outros.
  • Escolhe ouvir com atenção, sem julgamentos e com interesse.
  • Não tomes como garantido que sabes tudo e presta atenção às regras, ao que os outros te transmitem. 
  • Lembra-te que todos, mesmo todos, estão a viver esta nova realidade e tenta compreender e ser tolerante com os outros e com o que acontece à tua volta.
  • Modera possíveis sentimentos de competição, lembra-te que nem todos têm as mesmas oportunidades ou experiências e que alguns colegas poderão ter mais obstáculos para chegar ao sucesso. Faz diferente e oferece a tua ajuda.
  • Usa o teu material de protecção. Podes achar que é desinteressante, cansativo e deselegante, mas lembra-te que protege a tua saúde e a dos outros. É uma forma de mostrares o quanto te preocupas e passas uma imagem de confiança e responsabilidade.
  • Se vires alguém em incumprimento, não hesites em lembrá-lo das regras, com delicadeza, ou informa alguém que o possa fazer.

Dá, com confiança, o passo para o…

… 5º ano

  • Vais encontrar um novo mundo porque vais mudar de ciclo e (talvez também) de escola. Para que esta mudança corra mesmo bem, vais sentir que te pode ajudar saberes mais sobre essa nova escola e sobre quem está à tua espera. Conversa com os adultos para te ajudarem a arranjar soluções à distância, com vídeos, imagens, visitas virtuais. Pede aos teus pais para que possam ver a escola em conjunto, mesmo que seja só no exterior.
  • Procura na tua rede de conhecidos, ou com a ajuda dos teus pais, um aluno da nova escola, ou um aluno mais velho, para que possas, à distância, falar com ele e perceber como é o funcionamento da escola (pergunta se tem muitos ou poucos alunos, pede para que te fale um pouco dos professores e das principais diferenças de entre o 1º e 2º ciclo, por exemplo).
  • Mas não te despediste da escola anterior? Quando tudo acalmar, pede para a visitar e assim reveres as pessoas, ou organiza um encontro com os colegas (começa já a planear, mas com calma).

10º ano

  • Para além da transição de ciclo e da possível mudança de escola, se vais para o 10º ano terás o desafio de decidir quanto ao teu percurso escolar. Poderás optar por um dos quatro Cursos Científico-Humanísticos, Cursos Profissionais ou Cursos Artístico-Especializados. Se ainda não estás seguro com a tua decisão, fala com o teu Director de Turma e com o Psicólogo da escola que poderá apresentar-te as opções e ajudar-te a preparar a tomada de decisão (pois para isso é importante que saibas melhor do que gostas e para o que tens mais jeito, e também saberes bem o que são essas alternativas de escolha).
  • Poderás ter de mudar de escola. Vai ajudar-te conhecê-la e conhecer quem está à tua espera. Conversa com os adultos para te ajudarem a arranjar soluções de contacto à distância, pesquisa o site da escola para compreenderes melhor o seu funcionamento, fala com alunos mais velhos que possam ter optado pelo mesmo percurso escolar que ponderas ou que estudam na tua futura escola, para que antes mesmo de iniciares o ano lectivo, a possas conhecer um pouco melhor.
  • A escolha de um percurso escolar específico, entre a oferta formativa, poderá levar a que muitos dos teus colegas possam ficar na mesma escola, mas em turmas diferentes ou noutras escolas. Não te esqueças que, se vocês quiserem, as amizades se mantêm, mesmo que os caminhos possam vir a ser diferentes. É natural que te sintas menos confortável com novos colegas ou num espaço escolar diferente, mas vê a transição como uma oportunidade para conheceres uma nova realidade, nomeadamente novos colegas e realizares novas aprendizagens – e certamente farás também novas amizades.
  •  Mas não te despediste da escola anterior? Quando tudo acalmar, pede para fazer uma visita e rever as pessoas; organiza um encontro (começa já a planear, mas com calma).

Estás a terminar o Ensino Secundário e/ou a escolaridade obrigatória?

  • Sim, e vou continuar o meu percurso escolar
  • Se te vais candidatar ao Ensino Superior, serás possivelmente dos primeiros a regressar ao espaço escolar para as aulas de preparação para os exames nacionais. É natural que ainda sintas alguma insegurança e medo e que tenhas dúvidas em como vais reagir ou te deves comportar. 
  • É natural que sintas (ainda mais) ansiedade 
    • perante os exames e a alteração das regras dos mesmos
    • Por não te poderes relacionar livremente com os teus amigos
  • Procura perceber se estás bem e seguro com a tua decisão vocacional, ou se precisas de um último aconselhamento. Procura o Psicólogo escolar ainda antes do ano lectivo terminar.
  • Explora os vários percursos de ensino pós-secundário:

Ensino Superior Universitário/Politécnico, Cursos Técnicos Superiores Profissionais e Cursos de Especialização Tecnológica 

  • Sim, e vou procurar trabalho
  • Procura perceber como construir um CV (curriculum vitae). Um currículo é uma forma de mostrarmos o nosso percurso profissional, geralmente com o objectivo último de nos chamarem para uma entrevista de emprego. E assim, desse modo, queremos que quando leem o nosso CV, fiquem bem impressionados e vontade de nos conhecer melhor. Poderás criar um CV em modelo Europass ou optar por uma versão mais criativa
  • Inscreve-te no IEFP, e se possível procura o psicólogo da escola para que este possa articular com os serviços do IEFP.
  • Recorre aos Gabinetes de Inserção Profissional para que possas procurar ofertas de trabalho, identifica aquele que possa estar mais próximo da tua residência.
  • Reflecte sobre as áreas de actividade que possam estar mais alinhadas com os teus interesses e aptidões.
  • Adopta uma atitude activa na abordagem ao mercado de trabalho.
  • Partilha junto da tua rede de contactos mais próximos a fase em que te encontras e o tipo de actividades profissional que procuras, deste modo terás mais pessoas que terão conhecimento da tua procura de emprego e poderão partilhar algumas ofertas de que tenham conhecimento;

Apesar da nova realidade, não te esqueças que podes contar com os teus pais/cuidadores, com os teus professores, com o Psicólogo da escola, e com todas as pessoas da tua confiança. Não estás sozinho. 

Com o Apoio de:

Vanessa Neves (CP: 11765)

Nathalie Marques (CP: 14734)

TRANSIÇÕES ESCOLARES

Viver a Pandemia SaudávelMente

Campanha da Ordem dos Psicólogos Portugueses que foi transmitida nos intervalos da Telescola, para a promoção da Saúde Psicológica

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) tem acompanhado desde a primeira hora o enorme e complexo desafio que todos os cidadãos e os contextos educativos enfrentaram e enfrentam face à pandemia COVID-19. Nesse sentido, tem colaborado de forma proativa e próxima com as autoridades de saúde e educação, nomeadamente através da partilha de informação e consultoria.

No contexto escolar, a pandemia exige adaptações que permitam encontrar soluções para a implementação de medidas de suporte à aprendizagem e inclusão, pensando a escola como um todo para que continue a ser um espaço de desenvolvimento saudável, de educação inclusiva e de relação, aspetos fulcrais ao cumprimento dos seus objetivos.

A Escola representa um dos contextos com maior potencial para prevenir e promover a Saúde Física e Mental/Psicológica das crianças e jovens – enquanto fundamento da personalidade saudável e da cidadania ativa – sobretudo através da promoção da literacia em saúde e das competências sociais e emocionais das crianças/jovens.

Neste sentido, a promoção da Saúde Mental/Psicológica nas escolas deve operar de modo consistente ao longo do currículo, do ambiente escolar e dos serviços escolares, sendo integrada em programas e estruturas dentro da escola e contando com a intervenção de todos os elementos da comunidade educativa (alunos, pais, professores e Psicólogos da Educação). Só assim será possível cumprir os princípios definidos na Lei de Bases do Sistema Educativo.

É fundamental que o ano lectivo de 2020/2021 se baseie na premissa de que a escola é um espaço seguro, cuidador e de apoio ao desenvolvimento, à saúde (física e psicológica) e ao bem-estar das crianças, jovens e restante comunidade educativa. A dimensão psicológica das medidas de segurança é
essencial, uma vez que só um ambiente emocionalmente contentor capacita as crianças e jovens para estudar e relacionar-se.

Deste modo, a prioridade deve ser responder às necessidades de aprendizagem social e emocional das crianças e jovens, bem como às necessidades de Saúde Psicológica e bem-estar de toda a comunidade educativa.