Relações Abusivas

É completamente normal termos a sensação de ver o mundo através de óculos cor-de-rosa quando estamos no início de uma relação. Mas ao fim de algum tempo e para algumas pessoas esses “óculos” acabam por deixá-las “cegas”, impedindo-as de reconhecer que estão numa relação pouco saudável.

Uma relação não é saudável quando envolve comportamentos desrespeitosos, controladores e abusivos. Mesmo que, porventura, tenhamos assistido aos nossos pais (ou outras pessoas) a discutirem, brigarem e desrespeitaram-se emocional, verbal e fisicamente, isso não é normal! Nem está bem!

O abuso pode ser físico, emocional ou sexual. As relações são abusivas quando existe alguma forma de violência. O abuso físico inclui bater, empurrar, puxar cabelos, pontapear, etc. O abuso emocional – gozar, provocar, humilhar, chamar nomes, etc. – pode ser mais difícil de reconhecer porque não deixa marcas físicas, mas as suas consequências são mais duradouras. O abuso sexual pode acontecer a qualquer pessoa – rapaz ou rapariga. Nunca está bem sermos forçados a ter qualquer tipo de experiência sexual que não queiramos! Qualquer relação sexual não consentida é violação! Mesmo com alguém com quem namoramos!

Numa relação saudável há equilíbrio, ambos os parceiros são tratados de forma igual, com os mesmos direitos. Numa relação abusiva, um dos parceiros sente-se mais importante, mais amado, controla mais o que acontece. Se temos uma relação romântica desigual está na altura de falar sobre isso, fazer mudanças ou terminá-la e seguir em frente.

 

Sinais de Alerta

Quando o/a nosso/a namorado/a usa insultos verbais, linguagem agressiva, comentários negativos sobre nós, nos bate ou agride fisicamente, ou nos força a qualquer tipo de atividade sexual, estes são sinais verbais, emocionais ou físicos de abusos.

É importante perguntarmos a nós mesmos se o/a nosso/a namorado:

  • Fica zangado quando não desistimos dos nossos planos/interesses/atividades para estarmos com ele/a ou fazer o que ele/a quer;
  • Critica a forma como nos vestimos;
  • Nos diz que nunca seremos capazes de encontrar outra pessoa que queira namorar connosco;
  • Quer saber tudo o que estamos a fazer, a toda a hora, por exemplo, envia constantemente mensagens ou telefona a querer saber onde estamos, com quem estamos, o que estamos a fazer;
  • Quer que passemos todo o nosso tempo com ele/a;
  • Tenta controlar os diferentes aspetos da nossa vida (como nos vestimos, com quem falamos, o que dizemos, controla o nosso telefone, email ou redes sociais sem permissão…);
  • Nos impede de ver os nossos amigos ou de falar com outros rapazes/raparigas;
  • Dá sempre a volta à situação fazendo parecer que a culpa das ações dele/a é nossa;
  • Já nos levantou a mão numa situação em que estava zangado/a ou nos ameaçou bater;
  • Nos pressiona para levar a nossa relação sexual para outro nível, para o qual não nos sentimos preparados.

E estas não são as únicas questões a considerar. Se nos conseguirmos lembrar de alguma vez que o/a nosso/a namorado/a nos tenha tentado controlar, fazer sentir mal connosco próprios, isolado do resto do mundo ou nos magoou física ou sexualmente, então essa é uma relação da qual devemos sair, rapidamente.

As relações abusivas podem deixar-nos confusos porque os abusos (físicos, verbais, emocionais, sexuais) podem acontecer só de vez em quando. Muitas vezes as relações abusivas passam por fases, alternando entre períodos bons e maus. Noutros casos, o abusador tão depressa agride o parceiro como no minuto seguinte pede desculpa e parece arrependido. Porque o abusador também pode ser muito amoroso, torna difícil sair da relação ou reconhecê-la como uma relação abusiva (fica-se sempre à espera que não volte a repetir e que seja sempre amoroso…).

Pode parecer tentador inventar desculpas, achar que afinal não é violência ou abuso, confundir a possessividade ou a agressividade com amor, mas mesmo que achemos que a outra pessoa nos ama, não é uma relação saudável! Ninguém merece ser agredido, menosprezado ou forçado a fazer algo que não quer.

É importante compreendermos que uma pessoa só muda se quiser, por isso não podemos forçar ou convencer o/a nosso/a namorado a mudar os seus comportamentos, sobretudo se ele/ela não os considerar errados. Tendencialmente, o abuso piora ao longo da relação (não melhora!). Devemos sempre sentir-nos seguros e aceites numa relação, se isso não acontece é tempo de mudarmos nós a nossa vida e garantir a nossa segurança. Devemos considerar terminar a relação antes que o abuso se agrave. Ninguém merece ser maltratado, agredido, castigado. Todos merecemos ser amados e bem tratados.

Se sentimos que amamos a outra pessoa, mas ao mesmo tempo sentimos medo e não estamos confortáveis nessa relação, é altura de sair dela e pedir ajuda. Às vezes sentimo-nos envergonhados ou pensamos que ninguém vai acreditar em nós. Às vezes já nos isolamos da nossa família e dos nossos amigos por causa da relação abusiva. Mas as pessoas que realmente gostam de nós podem ajudar-nos nesta situação. Assim como um Professor ou um Psicólogo. Contar a alguém em quem confiemos o que se está a passar (um dos nossos pais, um irmão, um amigo, um Professor ou um Psicólogo) pode ajudar-nos a manter em segurança e a sair da relação.