Grupo de Amigos

As amizades verdadeiras não são fáceis de encontrar. E numa época em que enviamos mensagens e fazemos vídeo chamadas sem qualquer esforço, as ações, pequenas ou grandes, parecem ser o que mais conta numa amizade.

Para algumas pessoas os momentos definidores de uma amizade são profundos – como quando um amigo nos ajuda depois de perdermos alguém da nossa família ou nos visita todos os dias no hospital quando estamos doentes – para outras, são os gestos mais pequenos que marcam – como quando um amigo fala connosco horas a fio sobre determinado problema, ou nos ajuda a fazer os TPC ou revira um caixote do lixo porque perdemos os nossos brincos preferidos.

A amizade não é fácil. Tem riscos e responsabilidades. Pode ser assustadora (por exemplo, quando confiamos um segredo a alguém e depois nos arrependemos) e nem sempre é “para sempre”. Às vezes, basta uma discussão ou uma mudança de escola, para acabar com uma amizade. À medida que nós próprios mudamos e crescemos os amigos também “vêm e vão”. Isso é comum, pois podemos passar a identificar-nos mais com outras coisas e com outras pessoas.

Para além de algumas amizades mais especiais que possamos ter com uma ou mais pessoas (os nossos melhores amigos), é comum pertencermos a um grupo de amigos que nos fazem sentir bem, acompanhados, integrados. Normalmente, o grupo de amigos partilha alguma coisa em comum – gostam do mesmo tipo de música ou praticam o mesmo desporto, por exemplo.

Fazer parte de um grupo é uma boa experiência, é bom saber que há um conjunto de pessoas junto de quem nos sentimos apoiados e compreendidos. Pode ajudar-nos a viver o nosso dia-a-dia, a aprender a partilhar e a respeitar os outros. Podemos fazer parte de vários grupos de amigos ao mesmo tempo e dentro do mesmo grupo podem haver pessoas de quem nos sentimos mais próximos.

Às vezes, estes grupos de amigos são demasiado restritivos e não deixam entrar mais ninguém. Obrigam os membros do grupo a comportar-se e vestirem-se todos da mesma forma, seguem regras próprias e são muitas vezes cruéis para quem não pertence ao grupo ou não adere às mesmas regras. Este tipo de grupos esforça-se por fazer parecer que são “melhores” e mais “populares” do que os outros.

Se nos sentimos bem quando pertencemos a um grupo, sentir que não pertencemos a nenhum grupo, deixa-nos muitas vezes tristes, ressentidos, inseguros.

Mas mesmo pertencendo a um grupo, também podemos ficar preocupados sobre se continuaremos a fazer parte do grupo se fizermos/dissermos/vestirmos/nos dermos com alguém que o grupo não aceita ou não gosta.

Quando nos sentimos excluídos de algum grupo ao qual gostávamos de pertencer é importante pensarmos se queremos realmente fazer parte desse grupo e porquê. Porque é importante para nós sermos populares? Porque não nos queremos sentir “de fora”? Porque mesmo não nos identificando muito com o grupo achamos que é melhor “estar dentro” do que “estar fora”?

A vida dentro de um grupo pode não ser tão “cor-de-rosa” como imaginávamos. Podemos sentir que a nossa pertença ao grupo pode estar sempre ameaçada, ser condicional a fazermos/dizermos determinadas coisas. Fazer parte de um grupo pode significar sacrificarmos um pouco a nossa liberdade e seguir o grupo em vez de fazermos o que realmente achávamos melhor, só porque desejamos a “aprovação” dos outros. Devemos refletir se esse tipo de sacrifícios em prol da aprovação são compensatórios. Muitas vezes os membros de um grupo não se sentem seguros e “por dentro” estão constantemente preocupados com a sua posição no grupo. Às vezes, esse medo leva as pessoas a terem comportamentos negativos; ameaçar e humilhar outros, lançar rumores, excluir pessoas de uma festa, fazer comentários maus a alguém.

Quer pertençamos ou não a um grupo, lidar com as amizades não é uma coisa fácil. Mas há algumas coisas que podem ajudar:

  • Conhecermo-nos a nós próprios e à nossa reputação. É uma boa altura para pensarmos naqueles que são os nossos valores e interesses. Queremos fazer parte de um grupo porque precisamos de nos sentir aceites ou porque realmente partilhamos valores e interesses comuns? O nosso grupo de amigos transformou-se e já nos identificamos/gostamos? Como é que os nossos amigos influenciam a forma como pensamos sobre nós? Fazem-nos sentir bem ou mal?
  • Realizar atividades que nos façam sentir bem connosco próprios. Nunca devemos deixar que o grupo de amigos nos pressione a desistir de coisas que gostamos ou gastar tempo /dinheiro em coisas que não são importantes para nós. Se nos estamos a sentir excluídos ou “postos de parte” podemos experimentar a envolvermo-nos noutras coisas de que gostemos e onde também possamos encontrar um sentimento de pertença. Por exemplo, se não temos amigos na escola podemos juntar-nos a um grupo de voluntários ou inscrevermo-nos numa aula de dança/música/desporto fora da escola.
  • Manter um círculo social aberto e diversificado. Os grupos de amigos podem limitar a forma como nos vestimos, pensamos e comportamos. Não devemos deixar que eles limitem a nossa liberdade de escolha e a possibilidade de conhecermos e mantermos amizade com outras pessoas fora do grupo de amigos.
  • Pensar por nós próprios. Ou seja, “não ir atrás da carneirada”, não fazer só porque os outros também fazem. Se não concordamos ou não achamos que está certo determinado comportamento, não devemos alinhar com o grupo. Afinal, somos os únicos responsáveis pelo que fazemos. Os verdadeiros amigos respeitarão a nossa escolha e a forma como pensamos.

O “segredo” para ter amigos é sermos um bom amigo. E ser um bom amigo significa respeitar e ser justo com os outros, ser confiável e honesto, aceitar o outro nas suas diferenças. Por isso, se queremos ter amigos é tentarmos ser o tipo de amigo que gostaríamos de ter e mantermo-nos fiéis a nós próprios.